PRETENDE ANDRÉ BRADFORD Diáspora na projecção dos interesses regionais

O Governo Regional dos Açores pretende que as organizações da diáspora açoriana participem no “esforço de projecção dos interesses da Região” no exterior, devendo a sua intervenção ir além da preservação da herança cultural do arquipélago.
André Bradford, secretário regional da Presidência, afirmou ontem na 16.ª Conferência Internacional Metropólis, o maior fórum mundial sobre migrações, a decorrer em Ponta Delgada, que “só no continente americano existem mais de mil associações açorianas em diversas áreas, espalhadas pelo território dos EUA e Canadá”.
Segundo referiu, estas associações têm contribuído para a “sistemática e persistente preservação da identidade cultural” da Região, mas podem também ser “agentes de outro tipo de esforço”.
Entre estas organizações no exterior, as Casas dos Açores assumem-se como “pilares fundamentais, quer na relação do Governo Regional com as comunidades, quer na defesa dos interesses da Região junto dos países de acolhimento”.
Nesse sentido, André Bradford defendeu que as Casas dos Açores no Brasil, EUA, Canadá e Portugal Continental devem desempenhar funções de “protoconsulados”, actuando sob uma “agenda comum”.
“Tendo surgido inicialmente de forma quase aleatória e com objectivos variáveis de caso para caso, mas genericamente circunscritos à comunidade local e à celebração da memória de terra de origem, as Casas dos Açores são hoje mais actuantes, mais qualificadas e mais conscientes do seu papel de instâncias de representação”, afirmou.
O secretário regional da Presidência realçou também a necessidade de se encontrarem “mecanismos efectivos” para “envolver as novas gerações na vida diária das organizações” da diáspora açoriana.
Para isso, é preciso “valorizar os seus contributos, demonstrando abertura para acolher as suas sugestões e aceitando que se faça diferente, que se quebrem certas tradições”.


Questão das migrações
"estratégica" para Cabo Verde


O primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, afirmou ontem que a problemática das migrações é “estratégica” para o seu Governo, não apenas pelas comunidades na diáspora, mas também pela inserção dos imigrantes que residem no país.
“A questão das migrações é estratégica para Cabo Verde”, afirmou José Maria Neves em declarações à Lusa em S. Miguel, antes de participar num almoço com o presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César.

O chefe do Governo cabo-verdiano, que vai participar na sexta-feira na sessão de encerramento da 16.ª Conferência Internacional Metropólis, o maior fórum mundial sobre migrações, recordou que o seu país tem “uma comunidade na diáspora que ultrapassa a população residente, que está espalhada por todo o mundo e contribui fortemente para o desenvolvimento do país”.
José Maria Neves, que destacou a necessidade de criar uma “nação global”, envolvendo “toda a nação cabo-verdiana, nas ilhas e na diáspora”, salientou que, ao lado de casos da participação dos emigrantes no desenvolvimento do país, há também problemas para resolver, como o repatriamento, o envelhecimento das comunidades emigrantes ou a falta de protecção social nos países de acolhimento.
“Não sei se haverá Governo que dê mais atenção às suas comunidades na diáspora do que o de Cabo Verde”, afirmou o primeiro-ministro, recordando a criação do Ministério das Comunidades no anterior executivo para “elevar o nível das políticas públicas orientadas para as comunidades emigrantes”.
Nesse sentido, destacou a intervenção que o Governo de Cabo Verde tem feito junto das comunidades que residem em São Tomé e Príncipe, nomeadamente com a criação de pensões complementares para melhorar o apoio social, mas também em Moçambique, onde apoia a construção de habitação social.
Por outro lado, nos países europeus, onde as comunidades cabo-verdianas possuem níveis de protecção social mais adequados, o executivo assinou acordos em áreas como a segurança social ou a protecção de investimentos. Em simultâneo com a atenção dada às comunidades na diáspora, o Governo está também atento ao facto de Cabo Verde se estar a “transformar num país de imigração”, numa inversão da tendência migratória que está a criar “grandes problemas de inserção” das comunidades estrangeiras.
“Somos um dos países mais estáveis da região e há um grande fluxo migratório dos países do continente africano para Cabo Verde”, frisou José Maria Neves, reafirmando a importância estratégica da questão das migrações.
O primeiro-ministro destacou ainda a comunidade cabo-verdiana que reside nos Açores, frisando que está “bem integrada” e participa de forma activa no desenvolvimento do arquipélago.

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