
A história dos Açores é também a história da emigração. Hoje, são milhares os açorianos espalhados por todo o mundo. Manuel de Medeiros é exemplo dessa história, escolhendo o Brasil para viver.
Orgulhosamente açoriano. Não há natural das ilhas de bruma que se identifique de outra forma, esteja em que lugar do mundo estiver. Ser português é secundário, toma o lugar do passageiro e no principal permanece o sentimento de uma pertença visceral aos Açores.
Acresce a este orgulho, o facto de a Região da modernidade ser um exemplo de progresso e desenvolvimento, impulsionados por uma tão defendida Autonomia. Estipula o artigo sexto da Constituição da República Portuguesa que "os arquipélagos dos Açores e da Madeira constituem regiões autónomas dotadas de estatutos político-administrativos e de órgãos de governo próprio". Desta forma, e de acordo as vontades das gentes das ilhas, os Açores construíram-se como um ponto de passagem entre a Europa e a América, onde a tradição e o desenvolvimento se dão as mãos e ganham uma posição cada vez mais relevante no contexto nacional e internacional.
É motivo de júbilo para qualquer açoriano constatar as inúmeras atribuições e louvores concedidos às ilhas. "O segundo melhor arquipélago do mundo", nomeou a Região a revista National Geographic Traveller, elogiando o respeito pela natureza, a qualidade de vida e a sofisticação do nosso povo. Recentemente, voltou a referir os Açores como um dos melhores destinos, no mundo, para umas ideais férias de Verão. A nível interno, as políticas sociais e de investimento tomaram conta de uma agenda que quer continuar no caminho do progresso e luta contra a crise.
O passado que sustenta a nossa história não foi, no entanto, fácil. Pelo contrário, foi marcado por tempos dolorosos que obrigaram milhares de açorianos a deixar as ilhas, em busca de melhores condições de vida e perspectivas de futuro. Segundo os dados do Serviço Regional de Estatística, na década de 60 do passado século, foram registados 72.255 movimentos emigratórios dos Açores para o mundo. E o Brasil, pela afinidade histórica e cultural, pelo calor da aproximação de valores e pela partilha da língua, foi um dos países do continente americano que mais açorianos recebeu.
A Casa dos Açores de S. Paulo foi fundada por Manuel de Medeiros, em 1980, e visa " promover e divulgar a cultura, a tradição e os costumes açorianos". A sua inauguração contou com a presença do então presidente do Governo dos Açores, Mota Amaral, e desde logo afirmou-se como núcleo de reunião de açorianos que procuram relembrar e manter viva a açorianidade.
O fundador é micaelense, tem hoje 69 anos, e para ele, este foi um dos feitos de que mais se orgulha. "Construímos um prédio e conseguimos que o Dr. Mota Amaral, juntamente com a sua comitiva, viesse a S. Paulo inaugurar a estrutura. Hoje, esta é a Sede da Casa dos Açores e por isso, várias vezes fui convidado para palestras em diversas ilhas das comunidades açorianas". O micaelense é hoje um empresário de sucesso, dono de uma das maiores e mais promissoras empresas de metalurgia na América do Sul, mas diz nunca se esquecer de onde vem. O que significa para Manuel Medeiros ser açoriano? "Tudo!", afirma sem hesitar.
A tradição açoriana em terras brasileiras
A Casa dos Açores de S. Paulo promove um verdadeiro ambiente tradicional açoriano, mas a alusão às Festas do Divino Espírito Santo é a mais relevante e mobilizadora iniciativa levada a cabo pela organização desta famosa instituição. Leonilda é administradora da Casa Açores e segundo a própria, o fascínio pelos Açores ultrapassa os açorianos no Brasil. "No nosso grupo folclórico, os cantores são portugueses do Continente e os vários componentes são brasileiros." A casa conta, ainda, com a participação activa de cidadãos com mais de 80 anos que fazem questão em celebrar os Açores em todas as vertentes.
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